Com relatos sensíveis de pessoas que vivem à margem da sociedade, uma página no Facebook vem chamando a atenção dos internautas.A Rio Invisível, que entrou no ar no dia 2 de setembro, já registra mais de 20 mil “curtidas” e tem conquistado cerca de mil seguidores por dia na última semana, trazendo histórias de moradores de rua. O objetivo é ser “um exercício diário de enxergar a vida pelas ruas da cidade - redirecionar o olhar para os que estão ali”.
O projeto é obra da jornalista Yzadora Monteiro e do publicitário Nelson Pinho, ambos com 23 anos, que se inspiraram na página homônima paulista SP Invisível, que entrou no ar no dia 11 de março e tem cerca de 74 mil seguidores.
Quando a gente criou a página, ainda fiquei uma semana andando com a máquina na bolsa e não tinha coragem de tirar a primeira foto. Quanto tive coragem, a primeira pessoa que entrevistei foi o Amadeu, um senhor que eu sempre via no caminho do ponto de ônibus para o trabalho, então foi um começo encorajador, porque era uma pessoa que eu já via há muito tempo”, lembra Yzadora.
Nos comentários, pessoas sensibilizadas pelas histórias oferecem ajuda, se inspiram e demonstram admiração pela força e pelo exemplo de vida.
Além da página SP Invisível, outras trazem a mesma proposta, como Curitiba Invisível, Fortaleza Invisível e Humans of New York, que começou em 2010 com fotos e relatos de cidadãos comuns.
Confira uma das histórias:
“Meu nome é Haroldo. Haroldo com H.
Eu adoro ficar aqui na praça. Meu vício é só tomar uma cachacinha, jogar sueca e dominó valendo um salgado. E, todo fim de mês, é uma maravilha, tem churrasco com comida liberada pra todo mundo. Eu compro 1L de whisky, 1L de caninha da serra, 1L velho barreira, 1 garrafa de 51, 2 garrafões de vinho – um suave e um tinto -, 1 Dreher, 1 garrafa de Jurupinga e aí vai... Quem quiser chega e bebe a bebida que quiser. É proibido enfiar a mão no bolso e pagar alguma coisa, só se for pra beber cerveja ou refrigerante, porque de resto até água é de graça. Eu que libero tudo com o meu pagamento.
Não me dou muito com meu filho e por isso fico na rua. Ele tem dois filhos, a garota é o diabo. Ela tomava conta da hora que eu tinha que tomar banho e quando podia abrir a geladeira. Até pra cagar ela ficava me regulando! Por isso, continuo na rua, aqui ninguém me aporrinha. Pretendo continuar até morrer.“
Sr. Haroldo diz que adora um pagode e é passista da Viradouro.


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