Ele tem elefantíase desde os 13 anos. O nome da doença já revela a principal característica da perna grande, grossa, enrugada e negra. Trata-se de uma filariose linfática, que desencadeia-se a partir de um parasita no sangue, o que compromete a circulação.
O diagnóstico demorou para sair. "Procurava o médico e ninguém sabia o que eu tinha." Desde lá, João passou por seis cirurgias. A primeira com 16 anos.
No início eu não me aceitava. Hoje é normal para mim"
Para quem trabalha diariamente nas ruas, catando o que a população coloca no lixo, dor não é algo que lhe acompanhe diariamente, apesar das dificuldades de locomoção. Mesmo assim, ele carrega uma carrocinha, repleta de papelão, latinhas e garrafas pet. Nesta rotina que tira o sustento dele e da família, João Francisco também carrega um sonho: passar por uma nova cirurgia, desta vez, reparadora. Segundo ele, uma cirurgia poderia reduzir em 80% o tamanho da perna, no entanto, a mesma não é oferecida pelo Sistema Ùnico de Saúde pois é considerada um procedimento estético. Há anos atrás, quando João consultou um médico de Porto Alegre, a cirurgia teria um custo de R$15 mil.
Depois de viver por duas décadas em Porto Alegre, João mora há seis meses em Venâncio Aires com a esposa, o enteado e o pai. Embora receba auxílio mensal do Governo, devido a doença, o catador não larga a profissão para incrementar a renda e poder sustentar a família. A esposa tem o mesmo ofício. O pai de João, devido a idade, não trabalha mais e o enteado, de 13 anos, mesmo com uma leve deficiência mental, acompanha alguns roteiros dos catadores.
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